quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Cada elo que forma-se em meio a fumaça do palheiro
Da força da natureza que nos atrai à procriação
São pensamentos passageiros
Se você fosse na minha vida obrigação
Nuca pediria consolo a solidão
Você me instiga
Me inspira e respira meu ser
O tempo passou ligeiro
Em meio a meu peito estreito
Aquele lado esquerdo que não responde aos meus preceitos

Mattos Guerra

Diferença


Caráter que distingue e designa como somos
Plena diferença
Aquele ar de inocência que paira em nosso olhar
Me encontro
Me perco e delírio nesse mar
A falta de semelhança
E eu que nunca imaginei que sentidos diferentes pudessem se encontrar
Sentir e compactuar do mesmo prazer de saborear a vida
As carícias e malícias que a minha mente se permite estacionar
Ancoro meu coração
Nesse oceano de entrelinhas
Verbos e verbetes que saem da tua boca
A mente entoa numa nova paixão
Pede perdão para o passado
Pois nunca havia encontrado
Tamanha subtração
Tamanha atração
Entre seres desiguais
Sentidos sublinguais
Trilha sonora francesa que romantiza minhas ideias
E me faz lembrar
Que a grande beleza
Esta na nossa diferença
Provinda da nossa essência

Julieta Flores

domingo, 12 de janeiro de 2014

Te Amo

Enquanto dormias
Assumia baixinho
Quase sussurrando para não te acordar
para não te perder pelo meus dedos
Que antes passavam por entre teus cabelos.
O caetanes que faz meus grandes rios se abrirem
Se partirem por todo meu ser
Sem esquecer de dizer
O que antes tinha medo de perceber

Simone Banhart

domingo, 5 de janeiro de 2014

Fim de Jogo

Escrevo e despejo tudo que sobrou dentro de mim
Determino que agora chegou o meu fim
Estou saindo da jogada
Talvez eu sempre soubesse que não daria em nada
Mas mesmo nessa luta armada
Ponho minhas munições na mesa
Te mostrando com clareza
Com pesar e tristeza
Que não farei parte da próxima batalha

Simone Banhart

Coisas da Vida

É foda ter que viver com a solidão
Sem ter muita opção
Operação mau sucedida
Já dizia minha senhora: isso são coisas da vida
Olho ao meu redor
E vejo-me perdida
Tentando compreender as razões da sua partida
Nossa história mau resolvida
Mais uma vez preciso seguir a vida
Para o que hoje me faz mal
Amanhã me traga alegria

Simone Banhart

O que foi...

Seu amor me acelerou
E desacelerou meu passo
Já não estamos no mesmo compasso
Sigo seus passos
Mas não encontro traços que nos unam novamente
A opção é seguir em frente
Procurar amores de outras gentes.
Seu amor me deixou carente
Me deixou doente
Decepou parte de mim
E agora tenho que viver assim
Inconformada com esse fim.

Simone Banhart

sábado, 4 de janeiro de 2014

Permute-se

Será?
Cera que impede meus movimentos
Derreta suas dúvidas
Seus medos
E seus anseios

Comece de novo
Se permita sentir a nova brisa que passa
Deixe ela secar as lágrimas que correm em seu rosto
Deixe secar as cicatrizes
Deixe que ela leve e traga boas novas

Acenda um incenso
Sinta seu cheiro
Abra seu peito para novos aromas
Novos amores
Novos sabores

Desfrute do sabor da fruta mordida
Permita que a semente que resta
Germine em você
Deixe ela crescer e florescer
Se permita renascer

Simone Banhart

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Sou Negra


A cor escura que remete o medo
Remete a tortura
A cor escura que por onde passa
Leva junto sua história
Suas escórias
Suas marcas e chibatas
Leva o preconceito e o sofrimento
E mesmo com toda essa sujeira
Transcende a negra beleza
Diamante negro vendido barato
Apesar do seu grande valor
Negro Sofredor
Sua beleza interior
Escuro, escuro, escuro
Cercado de muros, ignorância e intolerância
A beleza da cor negra que apaixona
Que contagia
A magia sexual
Os corpos suados que reluzem ao luar.
Tons que ultrapassam qualquer barreira
E lhe digo com firmeza
Não sou mulata, morena nem moreninha
Sou NEGRA,NEGRA,NEGRA
Da cor escura
Beleza pura
Eu já nasci com malemolência na minha cintura
Beleza pura, cor escura
O seu medo por mim
É seu medo de amar minha negrura