quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Meu Amor

Se tiver, meu amor
Que segurar minhas mãos
Prender meus desejos
E fingir não querer teu lábios.
Para então trocarmos olhares
Misturarmos divagações
Com o intuito de lhe conquistar.
Afirmarei com as mais profundas forças
Que não te quero.

Simone Banhart

domingo, 22 de dezembro de 2013

Lótus

Gemidos que precedem o êxtase do prazer
O perfume dos teus olhos castanhos que tomam conta do meu ser
Ainda sinto o perfume do teu corpo no meu
Mesmo as águas mais límpidas e cristalinas
Não me seduzem para fazer-me banhar
Não existem técnicas, métodos e meios que me deem equilíbrio
Você: minha energia e criptonita
Sua arte dadaísta de descontruir minha estrutura
Forma uma ruptura
Fenda iluminada
Tomada de lama
E com toda a sua força
Beleza e sutileza
Nasce as raízes do nosso amor
E trepadeira de si mesma
sobe aos céus e floresce sua forma mais singela de ser.

Simone Banhart

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Amor de verão

Não nasci com vocação pra otária
Não quero presentes
Quero futuros
E olhares que antes se encontravam
São dispersos
Inversos do que um dia conheci
Beijos repartidos
Calor que toma conta do meu corpo
São outros corpos sob o meu
Meu amor se dissolveu
Diluiu
Sumiu
E se dissipou em meio a multidão.

Simone Banhart

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Sentimental

Uma alegria que transborda do corpo
Sorrisos rasgados no rosto
Corpo relaxado mas atento
Sem movimento
Mente desatina
Overdose de serotonina

Matos Guerra

Toc

Passos marcados
Objetos perfeitamente posicionados
O receio do caos
Então você aparece
O chão estremece
E tudo sai do lugar (e eu nula de ar)
Desconstrução da existência
Retira-me o dom da paciência
E coloca teu amor no lugar.

Matos Guerra

Olhar fulminante

Pontos luminosos mostram-me o caminho
Do qual me questiono o final.
Cegamente envolvida.
Desconheço o ponto de partida
Aceleração disparada
Não sei se fico
Ou bato em retirada.

Calafrios Arrepios e Sussurros

Olhar fulminante o teu
Que seca e me devora
Minhas mãos passam nas fagulhas dos teus cabelos
Contorço-me na esperança de fugir do teu prazer
Calafrios, arrepios e sussurros.

Dia Especial

Cercado de flores...
Rosas, Lírios e Girassóis
Ao redor da cama, tornam-se decoração
Dentro do meu peito, um parado coração
Raízes formam-se em meus pés
Desacredito em minha fé
Durante o velório: pessoas que vai, pessoas que vem
E eu surpreso
Com a morte que me caiu tão bem

Matos Guerra

Nostalgia

Hoje me peguei pensando em você
E de repente o sol apareceu
Mas ainda tinha nuvens no céu
O doce gosto me veio a boca
Fecho os olhos
E a brisa passa no rosto
Lembrando o quanto eu gosto
E quanto eu posso ficar com você.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Vou buscando em cada espaço
Motivos
Para não pensar em teus abraços
E não correr para te ver
Pois se a tanto a fazer
Por que em mim a vontade não há de me querer?
Desconfio do relógio
Que me engana em seus ponteiros
Desafia-me na lógica
Dizendo que passou uma hora
Quando na verdade
Já passou um ano inteiro.

Matos Guerra

Previsões de um futuro breve

Já chamei todos os orixás
Contatei as cartomantes
E todos se espantam com meu futuro
Ilusório e obscuro
Mas dizem que com final feliz
E a gente que sempre quis,
Quando se depara com a realidade...
É isso ai
A verdade nua e crua
Dizendo-me na cara dura
Que é minha vez de ser feliz.


Julietta Flores

Vetígios

Louca
Insana
Profana de mim mesma.
Me abraço ao desespero.
Ah, esses ponteiros que matam
Com seu silencio
Me mantém acordada
Injuriada, com as possibilidades da vida
Ficaria mais feliz se tudo isso fosse só dor de barriga.
Mas é a centopeia: que arrasta-se em meu corpo
que me acorrenta no sufoco.
procurando cada vestígio seu
cada pedaço meu
Em você.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Aceleração Cruzada

Ondas de fumaça que formam o cenário
Ar de suspense se aproxima
Trilha sonora de perseguição aceleram meu peito.
Enfim respiro,
Era apenas a propaganda de carros da época.


Mattos Guerra

O Jazz e o Beijo

Graves sons que embelezam o ambiente
Lembranças de amores, sexos e brigas que nunca tive
Sensualidade entre os lábios e o saxofone
Não se escuta o chamado ao telefone
O instrumento e o homem
União que mascara o verdadeiro ser.

Matos Guerra

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sonâmbulo Encanto

Deixa-me velar teu sono.
Descobrir nos teus sonhos,
O que tanto me encanta.

Parece quase uma dança,
Como movem-se nossos corpos
Expostos, nus e crus.
Movimentos sinuosos
Silenciosos (e parece que temos tanto a dizer...)

Corpos dos quais já se passaram outros corpos.
Também expostos e agora sós.
Eu e você no meio à escuridão
Tão longe de tudo.
Longe do mundo.
E da solidão.

Julietta Flores